|
DRENAGEM LINFÁTICA DAS GLÂNDULAS MAMÁRIAS DA
CADELA - ABORDAGEM CIRÚRGICA Luciana
Oliveira de Oliveira - Médica Veterinária, Mestre, Hospital de Clínicas
Veterinárias, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E-mail:
luciana635@hotmail.com
O câncer de mama é muito comum nas cadelas. Muito destes tumores
fazem metástases, em maior ou menor extensão, via sistema linfático. O
tumor de mama mais freqüentemente faz metástases para os linfonodos
regionais e para os pulmões, embora possa acometer vários tecidos ou órgãos,
como fígado, coração, rins, pele, cérebro e ossos. Existem
controvérsias sobre a direção da drenagem e sobre conexões linfáticas
entre as mamas. Variações anatômicas não permitem o estabelecimento de
um padrão de drenagem. O conhecimento sobre a drenagem linfática é
particularmente importante para avaliar a possível disseminação de células
neoplásicas e para definir a abordagem cirúrgica do paciente com câncer
de mama. Diferentes técnicas cirúrgicas podem ser empregadas, como
nodulectomia (ou biopsia excisional), mastectomia em bloco (ou regional) e
mastectomia unilateral. A nodulectomia não é indicada nos casos de tumor
maligno. A mastectomia unilateral compreende a remoção de todas as mamas
da mesma cadeia e os linfonodos correspondentes. A ressecção em bloco
envolve a exérese da mama neoplásica, as mamas com as quais possui conexões
linfáticas e os linfonodos correspondentes. Este
trabalho apresenta uma breve revisão sobre a anatomia da drenagem linfática
das glândulas mamárias da cadela, visando orientar os cirurgiões
veterinários na tomada de decisão frente a mastectomias para tratamento
do câncer de mama canino. As
cadelas geralmente apresentam dez mamas dispostas em duas cadeias de cinco
glândulas nas linhas paramedianas ventrais direita e esquerda,
estendendo-se da região peitoral até a inguinal. Podem-se encontrar
mamas supranumerárias, assim como pode haver cadelas com apenas três ou
quatro pares de mamas. As mamas são denominadas como: T1
- Mama torácica cranial, corresponde à primeira mama em direção
cranio-caudal. T2
- Mama torácica caudal, corresponde à segunda mama em direção
cranio-caudal. A1
- Mama abdominal cranial, corresponde à terceira mama em direção
cranio-caudal. A2
- Mama abdominal caudal, corresponde à quarta mama em direção
cranio-caudal. I -
Mama inguinal, corresponde à quinta mama em direção cranio-caudal. Os
linfonodos inguinais superficiais, também chamados de linfonodos mamários
nas fêmeas, fazem a drenagem linfática das mamas caudais. Estão
situados na gordura inguinal entre a parede abdominal ventral e a mama
inguinal. Geralmente encontram-se dois linfonodos, podendo haver até três
ou quatro. Além das mamas, são responsáveis pela drenagem da pele e
tecido subcutâneo do abdome, vulva e membro pélvico. Estes linfonodos
drenam para os ilíacos mediais, na cavidade abdominal, passando através
do anel inguinal. O
linfonodo axilar está localizado junto ao plexo axilar, envolto em uma
massa de gordura ventral à artéria toracodorsal, na região entre a
primeira e a segunda costelas. Este linfonodo drena as primeiras mamas
craniais. Um segundo linfonodo pode estar presente. O linfonodo axilar
também drena a pele, subcutâneo e músculo cutâneo do tronco, assim
como a pele, subcutâneo e parte da musculatura do membro torácico. A
drenagem pode seguir para a veia jugular comum ou formar conexões com os
troncos traqueais e ducto torácico (GETTY, 1986). A
mama torácica cranial drena somente para o linfonodo axilar, através de
um canal linfático isolado (SAUTET et al., 1992, RAHAL et al., 1995). A
mama torácica caudal pode drenar apenas para o linfonodo axilar (RAHAL et
al., 1995) ou pode drenar o axilar e/ou inguinal
(SAUTET et al., 1992). A
mama abdominal cranial pode drenar para o linfonodo axilar, inguinal ou
ambos (SAUTET et al., 1992, RAHAL et al., 1995). A
mama abdominal caudal drena apenas para o linfonodo inguinal (RAHAL et
al., 1995) ou para o axilar e/ou inguinal
(SAUTET et al., 1992). A
mama inguinal drena apenas para o linfonodo inguinal (SAUTET et al., 1992,
RAHAL et al., 1995). Existem
conexões linfáticas plexiformes entre as mamas torácica caudal e as
abdominais, o que pode explicar a drenagem da mama torácica caudal para o
linfonodo inguinal e da mama abdominal caudal para o linfonodo axilar (SAUTET
et al., 1992). As
duas mamas torácicas e a abdominal cranial podem drenar ainda para os
linfonodos esternais craniais, que são pouco estudados por não serem
acessíveis à cirurgia (SAUTET et al., 1992). Comunicações
linfáticas entre as cadeias esquerda e direita não são observadas (SAUTET
et al., 1992, RAHAL et al., 1995). A
partir destes dados de literatura, ao optar pela mastectomia em bloco para
tratamento do câncer de mama em caninos, o cirurgião deve fundamentar
sua decisão nas conexões linfáticas apresentadas entre as diferentes glândulas
e no trajeto de drenagem para os linfonodos. Desta maneira, minimiza-se a
chance de remanescência de células neoplásicas nos nódulos linfáticos
e, conseqüentemente, o risco de recidiva tumoral pós-cirúrgica. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS GETTY,
R. Anatomia dos Animais Domésticos.
5 ed. Rio de Janeiro:Guanabara, 1986. v. 2. RAHAL, S.C. et al. Uso
da fluoresceína na identificação de vasos linfáticos superficiais das
glândulas mamárias das cadelas. Ciência
Rural, v. 25, n. 2, p. 251-254, 1995. SAUTET,
J.Y. et al. Lymphatic system of
the mammary glands in the dog: an approach to the surgical treatment of
malignant mammary tumors. Canine
Practice, v. 17, n. 2, p. 30-33, 1992.
|